MOBILIZAÇÃO DA IGREJA PARA AÇÃO

 

INTRODUÇÃO: O assunto que me foi confiado diz respeito à mobilização da Igreja e como tornar os crentes cada vez mais integrados e envolvidos nos objetivos, alvos e vários ministérios da Igreja como Corpo de Cristo. Olhando para a história do povo de Israel nas páginas do Antigo Testamento, podemos claramente perceber que os líderes exerciam papel fundamental e decisivo na vida da Nação. Assim, podemos ver o declínio do povo e o total afastamento de Deus quando liderado por Jeorão, o rei que morreu sem deixar de si saudades. (II Crôn 21:20). Mas, por outro lado podemos ver um líder como Josias, que "fez o que era reto aos olhos do Senhor" e levou todo o povo de volta para Deus e Sua Palavra. II Reis 22 e 23. É muito grande a responsabilidade daqueles que são chamados para "pastorear" o rebanho do Senhor, e somente na força e dependência dEle é que cada pastor poderá desenvolver tão sublime missão.

I – O MINISTÉRIO DE CADA CRENTE

Precisamos voltar ao modelo do Novo Testamento, vivido pela igreja do primeiro século, e também exposto por Paulo em I Cor. 12.

Cada crente é um ministro e, por isso, devemos fugir do modelo "clerical", onde alguns são considerados "profissionais", enquanto que a maioria é platéia, assistência, ou apenas espectadores.

Quando penso no envolvimento de todos na obra do ministério, me vem à mente o que aconteceu nos dias de Salomão e a intensa participação de todos na construção do templo. O Primeiro Livro dos Reis, capítulo 5, versículo 15 nos informa sobre o envolvimento do povo nos mais diferentes serviços. Setenta mil levavam as cargas, oitenta mil cortavam pedras nas montanhas, três mil e trezentos davam as ordens, além daqueles que trabalhavam as madeiras e pedras trazidas das montanhas.

Na obra do Senhor não há lugar para espectadores, não há arquibancada, não há torcida; apenas um imenso campo, onde todos precisam atuar.

Na obra do Senhor não pode haver pessoas e funções privilegiadas, mas todos são iguais e todos são necessários, exatamente como importante é cada membro do nosso corpo. O modelo "clerical" acaba por criar um monstro imaginado por Paulo, quando disse: "Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido?".

Embora o olho seja um dos órgãos mais belos do corpo, você pode imaginar quão horrível seria todo o corpo sendo olho? Um olho imenso rolando pelas ruas! A figura bíblica da igreja como um corpo é indicação da importância de cada membro, sem que haja destaques especiais. Um texto do Velho Testamento que também vem reforçar este argumento é I Samuel 30:24, onde Davi atribui igual valor tanto aos que foram à frente da batalha, como aos que ficaram com a bagagem.

"Qual foi a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem."

II – O PASTOR COMO "VISIONÁRIO"

Deus tem dado à sua Igreja pastores que possam liderá-la, ajudando-a a ampliar a visão, visto que muito raramente a visão da igreja vai além da visão do seu pastor. Por isso o pastor precisa ser um homem de visão.

Visão é a capacidade de ver claramente realizado, algo que ainda é apenas um desejo, um sonho, um ideal.

Henry Ford teve a visão de que cada família da América teria o seu próprio automóvel numa época em que as pessoas ainda relutavam em aceitar o novo invento.

Mas, não basta ter a visão, é necessário estar profundamente comprometido com esta visão e, a isto, chamamos "a nossa missão".

Para que cumpramos a missão, precisamos estabelecer caminhos e meios e passos para a sua execução. A isto chamamos "alvos".

Talvez um dos exemplos bíblicos mais próprios para indicar este tipo de liderança visionária seja Neemias. Mesmo vivendo distante de sua terra e no cativeiro, ele pôde ver, por antecipação, os muros de Jerusalém totalmente reconstruídos. Também os detalhes da história mostram o seu total comprometimento com esta visão, transformando-a na sua missão. Sua missão era ver a sua "visão" concretizada, e para que isso acontecesse ele estabeleceu alvos, metas e passos para levar a efeito a sua visão.

III – O PASTOR PROFUNDAMENTE "COMPROMETIDO"

Antes que o pastor passe a sua visão para a igreja, é necessário que ele tenha algumas atitudes interiores muito importantes que irão respaldar as suas ações.

  1. O comprometimento com Deus: Quando pensamos em mobilização dos crentes para a ação não há como dissociá-la da vida pessoal daquele que mobiliza. O líder precisa gozar da credibilidade de seus liderados, sobretudo, no que diz respeito ao seu relacionamento pessoal com Deus. Os crentes não atenderão à convocação do líder para ação, se não perceberem nele as marcas do comprometimento com Deus, que se refletem no seu caráter e em suas atitudes no dia a dia, em família, na igreja e na sociedade. O pastor, antes de ter a visão de algo a ser realizado, precisa ter uma visão de si mesmo e perceber quão inadequado e incapaz é. Foi esta a visão que Moisés e Isaías tiveram, reconhecendo que eram desqualificados para tão grandiosa obra. Mas, Deus os usou poderosamente, porque se colocaram nas mãos poderosas do Senhor como servos humildes e totalmente dependentes.
  2. O comprometimento com a missão: O pastor, tendo a visão e estando comprometido com Deus no seu relacionamento pessoal e motivado a dar todos os passos na realização do seu objetivo, precisa agora motivar as pessoas, os seus liderados, contagiando-os com o seu entusiasmo e determinação. O pastor precisa se lançar de "corpo e alma" naquilo que está realizando, pois o nosso povo responde muito bem a estímulos quando pode visualizar o total envolvimento do líder na ação proposta.

Após ministrar uma clínica sobre Núcleo de Estudos Bíblicos (NEB) em um acampamento, conversei com um colega que ficou muito entusiasmado com o programa e o levou para a sua igreja, apresentando-o com muito entusiasmo ao seu povo, através de mensagens e palestras. Desafiou a todos que abrissem os seus lares para os NEBs. Algum tempo depois, ao encontrá-lo, me disse que em sua igreja o programa não dera certo, visto que nem sequer um lar havia sido oferecido para estabelecer o NEB. Descobri que nem mesmo o lar dele se abrira para o NEB, demonstrando desta forma ao seu povo, que nem mesmo ele havia abraçado o programa proposto.

3. O comprometimento com a excelência: O mundo secular vai se tornando cada vez mais exigente com a qualidade. Estamos chegando a um tempo em que só sobreviverão aqueles que estiverem profundamente comprometidos com a excelência. No Reino de Deus precisa haver mais excelência ainda, e o pastor precisa dar demonstração deste seu comprometimento através da sua integral dedicação àquilo que faz, seja pregando, ensinando, equipando ou modelando.

IV – O ESTABELECIMENTO DE ALVOS

Além de ter visão e estar profundamente comprometido com ela, o pastor precisa ter claro diante de seus olhos a direção a seguir. As pessoas certamente seguirão o pastor que sabe onde quer chegar.

Como, sabiamente, disse alguém, "Só não sabe se chegou aquele que não sabia para onde ia". Uma vez tendo a visão, é preciso estabelecer passos, etapas e meios para se alcançar o objetivo proposto. Um líder sem alvos é como um motorista numa desconhecida auto-estrada sem nenhuma placa de sinalização, ou um capitão de um navio em alto mar sem nenhuma bússola ou farol a indicar a direção.

John Edmund Haggai em seu livro "LEAD ON! Leadership That Endures in a Changing World" apresenta cinco aspectos básicos na elaboração de alvos: ESPECÍFICO, MENSURÁVEL, ALCANÇÁVEL, REALISTA E TANGÍVEL.

ESPECÍFICO: Um alvo não deve ser um vago desejo, mas algo específico.

"Eu quero honrar ao Senhor!" Pode ser um desejo válido, mas não descreve um passo específico na direção de se chegar à realização da visão. Um alvo específico seria, "Eu quero honrar ao Senhor ajudando 5 membros da minha igreja a descobrirem os seus dons espirituais e, em seguida, envolvê-los em um ministério compatível aos seus dons."

MENSURÁVEL: Um bom alvo precisa ser mensurável, visto que haverá necessidade de acompanhamento contínuo e ajustamentos à proporção que os passos ou etapas são vencidos. De preferência, os alvos devem ser estabelecidos com previsão de "tempo" e de "como" serão realizados. O alvo escrito acima pode ser aprimorado sendo mensurável: "Cada 3 meses, vou ajudar 5 membros da minha igreja a descobrirem os seus dons espirituais e, em seguida, envolvê-los em um ministério compatível aos seus dons."

ALCANÇÁVEL: Os alvos precisam ser atingíveis. Alguém que tem uma voz extremamente grave, não deveria ter a expectativa de vir a se tornar um tenor. Uma senhora idosa de 70 anos não deveria ter a expectativa de gerar uma criança. Não devemos perder o nosso tempo esperando que um cavalo venha a voar, ou que uma cobra venha a cantar o "Aleluia" de Haendel.

REALISTA: O alvo precisa ser realista. Seria completamente fora de realidade um aluno de primeiro ano da universidade ter como alvo se tornar o presidente daquela instituição, nos próximos 12 meses. Talvez fosse mais realista estabelecer um prazo maior, 10 ou 20 anos.

TANGÍVEL: O alvo precisa ser tangível, palpável. Se a pessoa é impaciente e estabelece como alvo "desenvolver a paciência", como poderá ela avaliar o seu próprio desenvolvimento? Mas, se estabelece como alvo "nos próximos dez dias não buzinar quando o motorista da frente não avançar, imediatamente, ao sinal verde", é um alvo perfeitamente palpável e de possível avaliação.

Pensando ainda em alvos, podemos destacar outros aspectos importantes. Um bom alvo deve:

SER CLARO E SIMPLES – Se você precisa escrever um livro para explicar o seu alvo, ele não é um bom alvo. Exemplo de um alvo claro e simples, mas desafiador: Escalar o Monte Everest.

SER ESTIMULANTE - Um alvo que cria um espírito de equipe e que tenha uma linha de chegada clara. O alvo deve soar emocionalmente como o apito do trem antes de sair para um destino específico, anunciando: "TODOS A BORDO!" Exemplo de um alvo estimulante: "Chegar à lua".

A META, E NÃO O LÍDER, DEVE SER O FOCO – O alvo tem que ser amplo, de modo a poder continuar motivando, mesmo que o líder que o lançou se afaste do grupo.

SER DESAFIANTE SEM SER UTÓPICO – Ter alvo que motiva é ver à frente algo grandioso, que exige muito esforço e dedicação, mas que não seja apenas um "sonho inatingível", que certamente produzirá mais frustrações do que realizações.

Stephen R.Covey em seu livro "The 7 Habits of Highly Effective People" apresenta um desenho muito interessante sobre como estimular pessoas a uma ação efetiva. A área do CONHECIMENTO nos indica "o que fazer" e "porquê fazer". A área da CAPACITAÇÃO nos indica o "como fazer". A área do DESEJO, da VONTADE é a motivação, o "querer fazer". A ação efetiva e consistente se dá na junção destas três áreas e o líder tem um papel fundamental ao proporcionar o equilíbrio das áreas.

V – O PASTOR COMO "EQUIPADOR"

O pastor precisa "equipar" os crentes, mostrando-lhes "o que fazer" e "porquê fazer". Oferecer toda a orientação necessária na área do conhecimento para que possam exercer adequadamente os seus ministérios.

O apóstolo Paulo mostra em Efésios 4:11-13, entre outras coisas, a função pastoral como sendo a de "aperfeiçoar os santos para a obra do ministério".

Como sabemos, a palavra grega para "aperfeiçoar" é "katartismos" ; a mesma palavra que aparece em Marcos 1:19: "Estavam no barco consertando (katartizo) as redes".

As redes, para serem úteis, precisam ser trabalhadas e ajustadas; reparadas para que alcancem o objetivo da pescaria: apanhar peixes.

O trabalho de "consertar" redes exige do pescador muita dedicação, paciência e perseverança. De igual modo, o pastor precisa dedicar-se com muito amor e perseverança para ajudar o crente a estar "equipado", "ajustado" para o exercício do seu ministério no corpo e, assim, alcançar o objetivo de Deus para a Igreja: a salvação do mundo.

O "consertador" de redes precisa, primeiramente, ter a sua própria rede consertada e, assim, poder "equipar" os outros.

Saber "o que fazer" e "porquê fazer" é importante, mas não resultará em ação efetiva se ficar apenas no "conhecimento" teórico.

VI – O PASTOR COMO "MODELADOR"

É preciso mostrar "o como fazer", a CAPACITAÇÃO. A melhor forma de fazer isso é através da "modelação. As pessoas aprendem vendo. É impossível "equipar" os crentes e ajudá-los a se tornarem adequados, se não há um modelo.

Quando falamos em modelo, estamos pensando no exemplo prático que o líder deve ser para os seus liderados. Não se aprende a nadar numa sala de aula, mas caindo numa piscina, junto com alguém que sabe nadar.

Um exemplo prático de modelação: Fazer com os líderes quatro reuniões estudando as lições do NEB, exatamente como eles conduzirão os seus grupos. Este procedimento dá segurança e confiança aos líderes dos NEBs.

O pastor que deseja levar a sua igreja a fazer da Evangelização, não apenas mais um programa, mas um estilo de vida, jamais conseguirá este objetivo se ele, pessoalmente, não for um modelo, demonstrando no seu viver diário aquilo que ensina. A Evangelização deve ser o estilo de vida do pastor.

É muito comum ouvirmos colegas dizendo que são as ovelhas que devem gerar ovelhas e não o pastor. Concordo plenamente com esta afirmação, mas não podemos esquecer que, além da função pastoral, somos também crentes e, como tais, devemos gerar ovelhas como os demais membros da igreja.

Jesus é o maior exemplo de "modelador". Ele ensinou os discípulos a orarem, mas a sua vida era uma contínua oração, além de separar tempo específico para estar a sós com o Pai. Ele ensinou humildade e viveu intensamente esta verdade aos olhos dos discípulos, inclusive lavando-lhes os pés. Mandou os discípulos anunciarem o Evangelho do Reino, mas Ele próprio aproveitou todas as oportunidades para proclamar este Evangelho.

Como já vimos, as pessoas precisam, não apenas saber o que fazer, mas também como fazer e aprenderão mais facilmente, vendo.

Mensagens e estudos e seminários fazem com que crentes tenham profunda convicção e CONHECIMENTO da necessidade de testemunhar de Cristo ou servir a Deus como ministros em alguma área de atuação na igreja, mas muitas vezes, falhamos na demonstração de "como" o crente pode testemunhar ou ministrar ao Corpo.

 

VII – O PASTOR COMO "MOTIVADOR"

Uma vez o crente "equipado" com o "CONHECIMENTO" teórico necessário "do que fazer", e podendo se espelhar num "modelo" e sendo "CAPACITADO" por observar "como fazer", é preciso então ter o DESEJO de fazer, a vontade de ver realizado aquilo que ele já sabe, ser MOTIVADO, impulsionado. O pastor precisa ser um motivador que contagie com o seu entusiasmo.

Sabemos do poder contagiante, tanto do "entusiasmo" como do "desânimo". Uma igreja dificilmente irá além do seu pastor, em algum projeto ou ação, no que diz respeito ao "entusiasmo" e "motivação".

Pedro, sendo uma espécie de líder do grupo apostólico, exerceu grande influência sobre os demais discípulos e, muitas vezes, falou em nome do grupo e contagiou a todos com o seu entusiasmo e determinação. Certa ocasião ele interpretou o sentimento dos colegas, quando disse: "Para onde iremos nós? Só tu tens palavras de vida eterna" (João 6:38)

Mas...este mesmo Pedro, quando desanimado e desiludido com a morte do Senhor Jesus, contagiou todo o grupo com o seu desânimo, quando disse: "Vou pescar" e os demais responderam: "Nós também vamos contigo" (João 21:3)

A mesma coisa acontece em relação ao medo. Os dez espias medrosos infundiram pavor no coração do povo, que quis nomear um líder que os levasse de volta ao Egito. Números 14:1-4

"Então toda a congregação levantou a voz e gritou; e o povo chorou naquela noite. E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão; e toda a congregação lhes disse: Antes tivéssemos morrido na terra do Egito, ou tivéssemos morrido neste deserto! Por que nos traz o Senhor a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossos pequeninos serão por presa. Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? E diziam uns aos outros: Constituamos um por chefe o voltemos para o Egito."

Por outro lado, podemos observar o poder do contágio, do entusiasmo e do ânimo que um líder pode exercer sobre os seus liderados. Talvez um bom exemplo disso seja Moisés com a sua palavra de ânimo, de fé e confiança ao povo que murmurava desanimado, tendo à frente o Mar Vermelho e atrás o furioso Faraó e seu exército: "Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor...o Senhor pelejará por vós; e vós vos calareis" Êxodo 14: 13-14

Uma ação efetiva se dará quando houver uma perfeita harmonia entre o CONHECIMENTO, CAPACITAÇÃO e a VONTADE, e o pastor será o instrumento de Deus para produzir esta harmonização.

VIII- COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIAS

Atendendo à solicitação deste Congresso, estarei compartilhando algumas experiências que o Senhor na Sua infinita graça, me tem permitido vivenciar, no que diz respeito a MOBILIZAÇÃO DA IGREJA PARA A AÇÃO.

Nestes quase 30 anos no ministério pastoral, tenho tido a alegria de ver o povo de Deus se envolvendo de maneira efetiva no Reino de Deus e na realização da Sua obra. São muitas as dificuldades e nunca conseguiremos mobilizar a igreja toda, e de modo satisfatório, mas podemos envolver uma grande parcela da igreja e de maneira crescente.

Na Evangelização temos priorizado a atuação através dos NEBs (Núcleos de Estudos Bíblicos nos Lares), levando os crentes a abrirem as suas casas para se tornar um permanente centro de evangelização de vizinhos, parentes e amigos. A simplicidade do programa dos NEBs e o contínuo treinamento, através da "modelação" têm tornado possível um envolvimento crescente dos crentes. Não apenas os lares têm sido abertos para a evangelização, mas as pessoas, individualmente, estão realizando os 4 estudos do Evangelho de João com colegas nos Colégios, Universidades, consultórios médicos e nos seus locais de trabalho.

Além dos NEBs, temos criado as mais variadas oportunidades para que os crentes se envolvam na evangelização, oferecendo-lhes o treinamento necessário. Temos o programa de evangelismo pessoal, através do "Exército Boas Novas", "Ministério do Telefone", "Cultos nos Lares", "Ministério com Surdos", "Ministério de Evangelização pela Internet", além das muitas "Frentes Missionárias", que oferecem contínua oportunidade de envolvimento dos crentes.

Deus tem nos permitido ampliar a atuação na área de "Missões" Locais, Estaduais, Nacionais e Mundiais e, creio, um aspecto básico para se manter viva a chama do entusiasmo da igreja é motivá-la para as demais áreas de atuação.

O "Ministério do Discipulado" é uma das chaves para um crescimento consistente da Igreja e um meio excelente de envolver pessoas. O processo do discipulado inicia-se a partir da conversão da pessoa num NEB ou no evangelismo pessoal e logo a seguir a pessoa recebe a atenção de um pai adotivo, que fará com ela o estudo do livreto: "O que Jesus Deseja que Você Faça". Sendo batizada, de imediato começa a fazer o "Segue-me" de Ralf Neighbor, passando em seguida para "Conhecendo a Deus e Fazendo a Sua Vontade" e "A Mente de Cristo" para, finalmente, fazer ‘Vida Magistral". Não há um meio mais excelente de envolver pessoas verdadeiramente comprometidas com o Senhor, do que o discipulado.

Discipular alguém é mais do que ministrar um curso bíblico; é se comprometer e investir a própria vida nesta pessoa.

A área "Social" é um excelente meio de envolver pessoas e levá-las a desenvolver os seus dons. Deus nos tem dado a graça de envolver um número enorme de crentes que amam a obra social e que oferecem parte de seu tempo e talentos para o Senhor. Uma obra, que teve um início tão pequeno há sete anos atrás, pode hoje, atender diariamente cerca de 200 crianças, dando-lhes nosso amor e carinho, oferecendo-lhes também reforço escolar, oficina de artes, esportes, cursos, assistência médica e suculenta alimentação. São muitas as oportunidades que temos de testemunhar para estas crianças e suas famílias.

Há muitas outras áreas que poderíamos citar, como o "Ministério de Intercessão", que envolve grande número de pessoas comprometidas a orar regularmente por motivos específicos; o "Ministério de Integração", que cuida de integrar o novo crente na igreja, dando-lhe assistência pessoal através dos pais adotivos; o "Ministério de Educação Cristã" que, através de diversos grupos pequenos, ministra o ensino bíblico consistente e ajuda levar o crente à maturidade cristã. Enfim, temos muitas outras áreas de atuação e mobilização em nossa igreja, mas citamos apenas estas para compartilhar alguns princípios básicos que temos aprendido.

1.O PEQUENO COMEÇO – É melhor começar pequeno e crescer, do que começar grande e diminuir. O melhor exemplo disso é o próprio Senhor Jesus, que concentrou a sua atenção em apenas doze, e ainda deu mais especial atenção a três: Pedro, Tiago e João. A parábola do grão de mostarda, é também uma boa ilustração de um pequeno começo.

Certa ocasião o Pr.Darrell Robinson fazia uma conferência em nossa igreja e, depois de falar sobre a evangelização, fez um apelo convidando os crentes que queriam se dedicar para a grande obra do testemunho pessoal. Vários irmãos vieram à frente consagrando suas vidas. Umas vinte e cinco pessoas aceitaram o desafio. Naquele momento senti de Deus que devia proclamar, iniciado ali, o que denominamos de "Exército Boas Novas". Me propus a treinar cada um, individualmente. Seria usado um método simples para compartilhar a nossa fé: apenas a leitura de um folheto, contendo versículos bíblicos com o Plano de Salvação. Convocamos a todos que voltassem no sábado seguinte para um treinamento, e para alegria nossa, todos vieram para receber as orientações. Tivemos ainda mais um sábado para treinamento e todos voltaram novamente. Finalmente, marcamos para o sábado seguinte o início da evangelização de casa em casa. Mas... para decepção e frustração minha, apenas uma senhora chegou naquele dia. Quando bateu o desânimo e pensei em desistir, Deus me lembrou do compromisso que havia feito de treinar individualmente a cada soldado, e ali estava a minha grande oportunidade. Saímos só nos dois para visitar as casas ao redor do templo e demos início ao "Exército Boas Novas" que, aos poucos, foi motivando outros irmãos, formando um grande exército. Chegamos a visitar todo o bairro ao redor do templo e tivemos o privilégio de batizar muitas pessoas alcançadas através destes contatos pessoais.

O mesmo aconteceu com o programa de NEBs. Foi um pequeno começo com apenas alguns lares abertos para alcançar os vizinhos, mas aos poucos fomos envolvendo pessoas, treinando liderança e, finalmente chegamos a 20 NEBs no primeiro ano. No ano seguinte alcançamos 50 NEBS. E assim fomos crescendo 70, 100 e 125 NEBs para a Glória do Senhor e salvação de centenas de pessoas.

2. A MARCA DA SIMPLICIDADE

Deus, na Sua graça e misericórdia, usa qualquer tipo de programa ou método, desde os mais simples aos mais complexos. Mas, na prática, os que mais funcionam em nossas igrejas são aqueles que têm a "marca da simplicidade". Aliás, o próprio Evangelho tem esta marca e, às vezes, gostamos de complicá-lo. Quando o programa ou método é simples e de fácil execução, atrai e agrada aos mais simples e iletrados, como também aos mais sofisticados e cultos.

3. A CENTRALIZAÇÃO NAS PESSOAS

Pessoas são mais importantes do que os programas e mais importantes do que as coisas. Um estudo de James C.Collins e Jerry I. Porras em seu livro "Feitas para Durar- Práticas bem sucedidas de empresas visionárias" revela que as empresas mais bem sucedidas do mundo são aquelas que colocam as pessoas acima do lucro. Na igreja não é diferente. Tanto as pessoas com as quais trabalhamos na igreja, quanto aquelas que vamos alcançar fora, precisam perceber que elas são a nossa prioridade.

4. DELEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Precisamos acreditar nas pessoas e procurar descobrir todo o seu potencial. Muitas vezes, líderes que fazem tão bem feito as coisas tendem a não dividir responsabilidades, subestimando a capacidade de seus liderados ou simplesmente ignorando o seu potencial. Possivelmente não tenha sido este o caso específico de Moisés, mas o fato de não saber dividir responsabilidades e delegar de maneira adequada, o levou a sofrer terrivelmente, bem como fez sofrer todo o povo. Felizmente Deus trouxe à sua vida um Jetro, que o exortou sobre esta necessidade de delegar e distribuir a carga com tantos outros líderes em potencial que estavam anônimos. (Êxodo 18)

5. FLEXIBILIDADE NOS AJUSTES

Todos nós temos dificuldades diante de mudanças e precisamos estar muito abertos para aceitar novos paradigmas. Toda mudança implica em rompimento com modelos anteriores, muito bem firmados e amplamente comprovados na experiência diária. Por isso tememos mudanças, e elas geram medo, insegurança e muitas vezes preferimos nos aquietar no modelo que previamente temos estabelecido. Mas, nem sempre estes modelos devem permanecer, e deve haver uma mente aberta para se conseguir ver um novo e melhor modelo.

Num vídeo apresentado no Instituto Haggai, em Singapura, sobre mudança de paradigmas se questionou, por exemplo, o formato dos selins das bicicletas. Por que, através dos anos, se convencionou ser da forma como é, tão desconfortável, e não se tem pensado em formato mais cômodo? É que a nossa mente tende a pensar como verdadeira e melhor a primeira idéia que obtivemos e não nos damos conta do fato de que pode haver uma idéia melhor.

Precisamos estar abertos para novos modelos na mobilização do povo de Deus, e mesmo na forma de ser como igreja de Cristo. Precisamos, no entanto, muita sabedoria para administrar estas mudanças, nunca nos esquecendo do amor cristão que deve ditar a nossa maneira de agir como líderes. Mudanças abruptas e impostas trarão mais malefícios do que benefícios, ainda que o modelo seja excelente. Não podemos, querer que, num momento, toda a igreja veja o que nós estamos vendo, mas trabalhar paciente e perseverantemente para levá-la a enxergar o que estamos enxergando.

A nossa experiência com grupos pequenos tem sido muito gratificante. Lamentamos que o programa de "igreja em células" tenha chegado ao Brasil com distorções no seu conteúdo doutrinário e eclesiológico, através do G12. Mas, o programa de "igreja em células", se aplicado dentro dos parâmetros bíblicos, será poderoso instrumento de Deus para edificação e crescimento do corpo de Cristo, a Igreja. Estamos num momento de transição em nossa igreja e temos aprendido muito diante das necessidades de se fazer os ajustes necessários. Embora alguns apresentem a conveniência de uma mudança radical do modelo estrutural antigo para o novo modelo, eu creio que devemos fazer uma transição mais lenta e que é perfeitamente possível a convivência pacífica com os dois modelos por algum tempo, com aproveitamento de todas as virtudes do modelo anterior. Precisamos trabalhar na implantação do novo modelo, lembrando-nos de que precisamos levar a igreja a perceber as vantagens e abraçá-lo sem traumas ou rupturas no Corpo de Cristo.

Há que se ter sabedoria e flexibilidade nos ajustes sem comprometer o que é essencial. Como diz o Pr. Irland Pereira de Azevedo, em seu estudo "Crises do Ministério Pastoral", precisamos compreender a diferença entre doutrinas e costumes; princípios e métodos; o que é inegociável, porque é revelação bíblica, e o que é mutável, aperfeiçoável, reformável; diferença entre conteúdo e forma."

CONCLUSÃO: Rogamos a Deus que nos ajude a mobilizar os crentes, não a um ativismo vazio, mas a ações verdadeiras que tenham, como motivação maior, O AMOR DE DEUS a impulsioná-los e que redunde em glória para o Seu nome e crescimento do Seu Reino aqui na terra. Reconheçamos a nossa fragilidade e limitações para tão grande obra, mas nos coloquemos inteiramente nas mãos PODEROSAS do Senhor como seus dóceis e moldáveis instrumentos.

Pastor Odilon dos Santos Pereira

Primeira Igreja Batista de Santos

 

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Irland Pereira . "Crise no Ministério Pastoral" – Estudo realizado na Ordem dos

Pastores Batista do Estado de S.Paulo, secção Litoral Paulista , Setembro 2000

COLLINS, James C. "Feitas para Durar – Práticas Bem-sucedidas de Empresas Visionárias".

Editora Rocco Ltda 1995

COVEY, Stephen R. "The 7 Habits of Highly Effective People – Powerful Lessons in

Personal Change". New York.. A Fireside Book 1989

HAGGAI INSTITUTE – Advancing Leadership Skills - Material do treinamento avançado

realizado em Singapura em Maio de 2000

HAGGAY, John Edmund. "Lead On ! – Leadership That Endures in a Changing Word".

Singapore. BCA Printers 1986

KENNETH, Blanchard. "Situational Self Leadership – Taking the Lead When You’re Not in

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NEIGHBOUR JR, Ralph W. "Where Do We Go From Here?" – A Guidebook for The Cell

Group Church – Houston, Texas, U.S.A . Touch Publications – Revised Edition 2000

SCHWARZ, Christian A. "O Desenvolvimento Natural da Igreja – Guia Prático Para Cristãos

Que Se Decepcionaram Com Receitas Mirabolantes de Crescimento" – Editora

Evangélica Esperança 1996.

STOCKSTILL, Larry . "The Cell Church – Preparing Your Church for the Coming Harvest".

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